terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Minhas lembranças matemáticas




Tenho boas lembranças da matemática na minha infância. Os professores que me ensinaram matemática até a 4ª série na escola Virgílio Távora não usavam o terror como método de ensino. Não sofri para aprender matemática.
Sempre gostei de matemática.
Da 5ª a 8ª série costumava ajudar meus colegas a resolver problemas matemáticos. Na 5ª série, uma professora foi marcante: Dona Ariane, pela seriedade com que ensinava matemática e pela vergonha que me fez passar diante de toda a turma. Certo dia, ela me questionou o fato de não usar todas as folhas do caderno para escrever: escrevia numa folha, deixava a próxima em branco, voltava a escrever na folha seguinte. Por que eu fazia isso? Até hoje não sei.
O argumento de Dona Ariane era principalmente econômico: o bolso dos meus pais; ou seja, minha atitude não colaborava para a economia familiar. A lição me serviu. Foi a primeira vez que tive consciência de que havia professores que se preocupavam sim com seus alunos. Dona Ariane, escola Moreira de Sousa, 5ª série.
Minhas notas em matemática sempre foram boas. Certa vez vivi uma situação surreal. Terminei minha prova, um colega puxou-a de mim, entregou-a para outro que repassou a outro... Em resumo, minhas respostas correram toda a sala até que finalmente recebi a prova de volta. O atencioso professor (ou professora, não lembro quem era) não percebeu a situação.
Eu e a matemática sempre nos demos muito bem.

Santa Inês, Maranhão, 09 de setembro de 2014.



terça-feira, 25 de novembro de 2014

História de uma caixa


A aula já tinha começado quando aquela meninazinha entrou com a caixa. Ou seja: ela estava atrasada. Atraso provocado por aquela caixa. Ou melhor: pelo embelezamento da caixa. Era uma simples caixa de sapato, não muito nova. Pediu à mãe que deixasse a caixa "bem bonita".
- Que arrumação é essa? - perguntou a mãe.
- A tia que pediu - explicou a meninazinha.
A tia a que ela se referia não era a irmã de sua mãe ou a irmã do seu pai, era a sua professora, a Tia Cileide do 1° Ano do ciclo de alfabetização. E não adianta explicar para a meninazinha que professora não é tia, por mais bem fundamentados pedagogicamente que estejam os seus argumentos.
Se alguém falar da Tia Cileide na sua frente, essa meninazinha, que é tão educada, pode mandar pra lua sua boa educação. É que ela vive sob o encantamento da caixa "matemágica" que a Tia levou pra escola. Tem sido assim há um mês.
Na última aula a professora comentou que no próximo ano - vejam bem, no próximo ano - cada criança deveria pedir a mãe para decorar uma caixa de sapatos e ter, assim, sua própria caixa "matemágica".
Distraída, ansiosa, encantada com aquele objeto de cujo interior a professora retirava outros objetos (numéricos, coloridos, de formas diversas), a meninazinha não ouviu a expressão "próximo ano", mas "amanhã". Chegou em casa e falou pra mãe.
A mãe - uma mãe proletária, cheia de afazeres, portanto - não "otimizou" o seu tempo (que mania têm as mães de não otimizarem seu tempo!), deixando assim pra fazer a caixa meia hora antes de a filha ir pra escola.
Amanhã você leva - disse subitamente a mãe para a meninazinha.
- É pra hoje e eu só vou pra escola se a senhora "fazer".
- Ah meu Deus! - suplicou a mãe, aborrecida.
Aborrecida ou não, lá estava a mãe com a mão na massa. E o resultado final foi uma bonita caixa, irreconhecível como ex-caixa de sapato. Arrumou a filha e mandou-a pra escola:
- Vai-vai-vai que a aula já começou.
A escola ficava a três quarteirões dali.
A meninazinha chegou atrasada, os colegas estavam sentados, a professora, de costas, arrumava sua mesa para começar a aula.
Calada, a meninazinha tocou de leve a professora e entregou a caixa. Por alguns segundos, Tia Cileide tentou entender o que estava acontecendo; logo entendeu o equívoco da criança. A meninazinha sentou-se, a professora não teve a coragem de lhe dizer que aquela caixa não era necessária naquele dia. Quem seria louco de desfazer o encanto daquele momento mágico? Você seria?

Santa Inês, Maranhão, 22 de novembro de 2014.

Para Marina, Fernanda, meus colegas orientadores de estudo, os professores alfabetizadores e todos os que lutam em prol da alfabetização na idade certa em nosso país.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

I Seminário dos Orientadores de Estudos do polo de Santa Inês

Aconteceu nos dias 23, 24 e 25 de outubro o I Seminário dos Orientadores de Estudos do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa do polo de Santa Inês (MA).
Em destaque, a importância do registro, tanto por parte dos Professores Alfabetizadores, como por parte dos Orientadores de Estudos. Registrar a atividade docente, os momentos de estudo, individuais e coletivos, as reuniões técnicas e pedagógicos possibilita obter uma representação fidedigna do trabalho dos Orientadores de Estudos. Nesse aspecto, o Diário de Bordo constitui instrumento indispensável.
Abaixo, alguns momentos do Seminário:


sábado, 20 de setembro de 2014

Professores trocam experiências e organizam trabalho pedagógico para a alfabetização matemática

Encerrou-se hoje, 20, o primeiro momento formativo dos Professores Alfabetizadores do PNAIC de Matemática da rede municipal de ensino de Pio XII. Foram três dias de trocas de experiências, produção de jogos e organização do trabalho pedagógico para a alfabetização matemática. Muita criatividade na representação teatral do trabalho docente e na elaboração de atividades lúdicas. Os professores alfabetizadores demonstraram sensibilidade e engajamento como nos mostram as fotos abaixo.
















    

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Início da formação em Matemática

Teve início hoje em Pio XII a formação dos Professores Alfabetizadores do PNAIC 2014, com uma viagem à infância que nos trouxe à tona lembranças da "Dona Palmatória" no ensino da Matemática. Experiências compartilhadas e muita vontade de garantir as condições para a efetivação dos direitos de aprendizagem das nossas crianças.